Muitas vezes chove naquela terra de ninguém. Chuva, tempestade, tormenta, raio, trovão. O povo se esconde, dentro das casas de pedra, e se põe a pensar. E como a tempestade nunca termina, o povo nunca para de pensar. E pensa. E os vizinhos daquela terra de ninguém não sabem que os pingos da chuva são idéias, e a terra fértil é a própria consciência.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Tempo
Faz tempo que o sol não jorra da janela. Faz tempo que não chove e é frio do lado de fora. Faz tempo que a casca da árvore cresce e a floresta adormece. Faz tempo que a fumaça do cigarro queima e ele não apaga. Faz tempo que esse cheiro toma conta da casa e ninguém sente. Faz tempo que a tristeza é um colar e faz tempo que ela é uma corrente. Faz tempo que as palavras não são ditas. Faz tempo que a falta é sentida. Faz tempo que a cidade não é mais tão bonita, faz tempo que as coisas fazem sentido. Faz tempo que a esperança está doente e faz tempo que ninguém sabe se ela vai se recuperar. Faz tempo que os males são irremediáveis e faz tempo que tenta-se negar isso. Faz tempo que tem-se dado tempo ao tempo e faz tempo que o conselho deixou de servir. Faz tempo que as tentativas são frustradas. Faz tempo que faz tempo tudo isso. O tempo faz o tempo. O tempo faz com que a janela fique fechada. O tempo faz com que só faça sol e seja quente. O tempo faz com que a floresta adormeça. O tempo faz com que o cheiro seja imperceptível. O tempo faz com que a tristeza passe. O tempo faz com que a tristeza volte. O tempo faz com que as palavras não saiam da boca. O tempo faz sentir falta. O tempo faz com que a cidade seja feia. O tempo faz com que as coisas não tenham sentido. O tempo adoece a esperança e faz com que ninguém saiba da sua saúde. O tempo não remedia o mal, e se o tempo não remedia o mal, nada mais remedia. O tempo faz com que o tempo não tenha tempo e que os conselhos se desgastem. O tempo faz tempo todo tempo. O tempo fecha a janela. Faz tempo que todo o meu amor é vão. O tempo faz que todo meu amor é vão. Vão faz o tempo e todo o meu amor. O meu amor é vão e faz o tempo. Vão, oh meu amor, é o tempo. Faz tempo.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
O brado de ódio
Nu, de novo, as feridas abertas.
Mais uma vez está de peito aperto.
Está sentado na rua, desolado,
banhado pela luz alaranjada
daquela cidade imunda.
Está frustrado,
de novo,
cansado de vagar a esmo.
O tempo é muito vagaroso:
ouve-se uma pergunta tímida
- "até quando?" -,
mas não há resposta que tranquilize
não existem palavras
além das que se quer ouvir
que podem mudar aquilo.
Está com raiva, de novo
a cinzenta canção de dor e perda se transforma mais uma vez num brado de ódio
nele engasga toda angústia,
todo desejo de mudança,
toda frustração da estar no mesmo lugar a tanto tempo.
Nele engasga a falta de perspectiva,
o desespero, o cansaço de tentar e errar e repetir esse processo infinitamente.
Nele está o sentimento de mal irremediável:
tenta relutar em aceitar o fato, mas segue e termina como está.
Nele está a agonia de não perceber as coisas escondidas á meia luz,
mas de enxergar os espaços na poesia social
e não conseguir ocupá-los.
Sobre ele paira a ausência, na forma de uma sombra escura.
Mas o brado é silencioso.
Habita os escombros de uma mente nebulosa
e é como um sentimento adormecido,
que ora desperta e preenche
e ora adormece e reconforta.
Mais uma vez está de peito aperto.
Está sentado na rua, desolado,
banhado pela luz alaranjada
daquela cidade imunda.
Está frustrado,
de novo,
cansado de vagar a esmo.
O tempo é muito vagaroso:
ouve-se uma pergunta tímida
- "até quando?" -,
mas não há resposta que tranquilize
não existem palavras
além das que se quer ouvir
que podem mudar aquilo.
Está com raiva, de novo
a cinzenta canção de dor e perda se transforma mais uma vez num brado de ódio
nele engasga toda angústia,
todo desejo de mudança,
toda frustração da estar no mesmo lugar a tanto tempo.
Nele engasga a falta de perspectiva,
o desespero, o cansaço de tentar e errar e repetir esse processo infinitamente.
Nele está o sentimento de mal irremediável:
tenta relutar em aceitar o fato, mas segue e termina como está.
Nele está a agonia de não perceber as coisas escondidas á meia luz,
mas de enxergar os espaços na poesia social
e não conseguir ocupá-los.
Sobre ele paira a ausência, na forma de uma sombra escura.
Mas o brado é silencioso.
Habita os escombros de uma mente nebulosa
e é como um sentimento adormecido,
que ora desperta e preenche
e ora adormece e reconforta.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
domingo, 15 de junho de 2014
A poesia social
a felicidade é vã como o céu azul de um dia ensolarado e eu de ressaca
o entardecer é mais inebriante por entre os prédios dessa cidade
como o seu sorriso, perdido e escondido
numa alegria que vem do nada
a vida é cretina, perversa e pervertida
é um mar de vastas emoções e pensamentos imperfeitos
e eu dentro de um carro, longe daqui, a dez mil milhas por hora
vendo o céu azul me tragar como se eu fosse fumaça
na escuridão que esconde a noite
não posso me esquivar
dos espaços vazios em que me esbarro
e vejo, escancarada,
a poesia social
o entardecer é mais inebriante por entre os prédios dessa cidade
como o seu sorriso, perdido e escondido
numa alegria que vem do nada
a vida é cretina, perversa e pervertida
é um mar de vastas emoções e pensamentos imperfeitos
e eu dentro de um carro, longe daqui, a dez mil milhas por hora
vendo o céu azul me tragar como se eu fosse fumaça
na escuridão que esconde a noite
não posso me esquivar
dos espaços vazios em que me esbarro
e vejo, escancarada,
a poesia social
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Quanto valem os seus sonhos?
"Quanto vale o seu sonho?", indagou-me a figura. "Um punhado de reais?". Por longo tempo fiquei, mais uma vez, calado na escuridão de uma interrogação pungente e tristonha, como o céu nublado daquela manhã de segunda. Não existe dúvida maior do que aquela que divide o sonho e a realidade. Que cruza os meandros da consciência e escreve num quadro negro com giz rasgando e silêncio da paz interior: "decifra-me, ou te devoro". Eu talvez ainda queira tentar mudar o mundo. Existem coisas que dado o erro inevitável ainda vale a tentativa. Eu talvez ainda possa mudar o mundo. E os meus sonhos não valem um punhado de reais.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
A poesia social
Paz hoje é caos urbano
O espelho, a janela do ônibus
A meditação não é silenciosa
É admirar o céu rasgado de concreto
Em meio ao mar de gente nervosa
De dia é quente
Aperto os olhos contra o sol
Bocejo, desejo, espero
Penso, reflito, divago
Retorno, retraio, entristeço
Devaneio e renasço
De noite, quando a rua é laranja
Os carros andam velozes
A vida é mais agitada
O cansaço inebriante
Exposto em olhos profundos
Que lá no fundo tragam o mundo
O espelho, a janela do ônibus
A meditação não é silenciosa
É admirar o céu rasgado de concreto
Em meio ao mar de gente nervosa
De dia é quente
Aperto os olhos contra o sol
Bocejo, desejo, espero
Penso, reflito, divago
Retorno, retraio, entristeço
Devaneio e renasço
De noite, quando a rua é laranja
Os carros andam velozes
A vida é mais agitada
O cansaço inebriante
Exposto em olhos profundos
Que lá no fundo tragam o mundo
segunda-feira, 2 de junho de 2014
A poesia social
As pessoas dormem
Seus sonhos se esvaem pelas janelas
Elas esperam pelo final
Da hora do dia da semana do mês do ano
Pra aliviar cansaço e dor
Triste é pensar que o mundo não espera
que as coisas são findas
Voláteis, dispersas
Só posso concluir que felicidade
É realmente
A ausência de percepção de que as coisas um dia acabam
Minha mente lucida volta-se sempre para o tempo
Nela a mudança é rápida
Um sopro
E o tempo pra mudar já se foi.
Mas, temerosa, sente que talvez
Se o tempo passasse mais rápido a vida seria nada
Vã como a tarde de um dia ensolarado de domingo
Vil como a noite e o cansaço
Perversa como os desejos de uma mente febril
E abstrata como os corpos em movimento
Numa noite enluarada
E o pensamento relevado
Naquele momento específico em que os corpos falam
Ah, se eu pudesse descrever,
capturar de alguma forma
O momento em que os corpos falam
a mente abre mão de governar
E a poesia social espalha-se em música
Uma melodia escrita no vento
Por uma menina - Poesia -,
De vestido azul e varinha
Que a faz rodopiar
Por entre corpo e mente
Na profunda escuridão da noite boemia
Seus sonhos se esvaem pelas janelas
Elas esperam pelo final
Da hora do dia da semana do mês do ano
Pra aliviar cansaço e dor
Triste é pensar que o mundo não espera
que as coisas são findas
Voláteis, dispersas
Só posso concluir que felicidade
É realmente
A ausência de percepção de que as coisas um dia acabam
Minha mente lucida volta-se sempre para o tempo
Nela a mudança é rápida
Um sopro
E o tempo pra mudar já se foi.
Mas, temerosa, sente que talvez
Se o tempo passasse mais rápido a vida seria nada
Vã como a tarde de um dia ensolarado de domingo
Vil como a noite e o cansaço
Perversa como os desejos de uma mente febril
E abstrata como os corpos em movimento
Numa noite enluarada
E o pensamento relevado
Naquele momento específico em que os corpos falam
Ah, se eu pudesse descrever,
capturar de alguma forma
O momento em que os corpos falam
a mente abre mão de governar
E a poesia social espalha-se em música
Uma melodia escrita no vento
Por uma menina - Poesia -,
De vestido azul e varinha
Que a faz rodopiar
Por entre corpo e mente
Na profunda escuridão da noite boemia
domingo, 11 de maio de 2014
Sujeitos perfeitos
a minha poesia é o que me move
mas é também o que me mata
nos recantos da alma metralhada
ainda há melodia
que narra a vida
me move
como minha poesia
e as vezes me vejo
em outros sujeitos
de todos os sujeitos
no canto de um bar
ou numa mesa numa sala de estar
e eu cometo o erro
de pensar as vezes
que esses sujeitos
são todos perfeitos
mas é também o que me mata
nos recantos da alma metralhada
ainda há melodia
que narra a vida
me move
como minha poesia
e as vezes me vejo
em outros sujeitos
de todos os sujeitos
no canto de um bar
ou numa mesa numa sala de estar
e eu cometo o erro
de pensar as vezes
que esses sujeitos
são todos perfeitos
sábado, 3 de maio de 2014
Raiva ou paranoia
Ás vezes eu sinto vontade de simplesmente mandar os senhores ao inferno,
mas frequentemente me vem a ideia de que isso é mera paranoia.
Ou será que não?
mas frequentemente me vem a ideia de que isso é mera paranoia.
Ou será que não?
terça-feira, 29 de abril de 2014
Minh'alma
da janela vejo o céu e uma camisa rasgada
pendurada no jardim, que também tem uma flor amarelada
a flor é hipocondria, a camisa minha alma
minh'alma rasgada e esfarrapada
um pano pisado e sujo,
deixado de lado
no canto da sala de estar
no dia que é de chuva
pendurada no jardim, que também tem uma flor amarelada
a flor é hipocondria, a camisa minha alma
minh'alma rasgada e esfarrapada
um pano pisado e sujo,
deixado de lado
no canto da sala de estar
no dia que é de chuva
Metamorfose carmesim
A tristeza vejo em olhos sem vida.
O pé nervoso marca um compasso histérico contra o chão.
A boca masca nada raivosamente.
Os olhos vagueiam a procura de nada e se fixam em alguma coisa aleatória.
As mãos cruzadas sobre as pernas, sentadas na calçada de uma rua em algum lugar qualquer dessa cidade imunda.
No céu escuro, estrelas. Nas ruas, pessoas. Gestos, linhas, feições, vinho e poesia.
A franja lhe avança contra os olhos, mas suas mãos estão inertes demais - envolvidas em algo profundo - pra arrumá-la.
Mas ela é bonita assim.
E outrora a felicidade mostra-se em um sorriso - flor que nasce em meio as pedras: a vida que desperta em um dia frio de verão, e sorri feliz ao acordar e contemplar o seu sonho de primavera.
Sua silhueta esguia contra a luz amarelada de um bar.
Há algo em seus olhos. No seu cabelo metamorfoseante. Nos seus gestos, na forma como ela anda, fala e ri - nos saltos que ela dá quando está alegre, na fala que imita uma criança pra mimar alguém e no sorriso que aperta os olhos verdes. Há algo em seu riso. Nos seus olhos. No seu abraço. No jeito como você não canta e mesmo assim encanta. Há algo secreto, escondido nos dedos
ou no seu cabelo.
O pé nervoso marca um compasso histérico contra o chão.
A boca masca nada raivosamente.
Os olhos vagueiam a procura de nada e se fixam em alguma coisa aleatória.
As mãos cruzadas sobre as pernas, sentadas na calçada de uma rua em algum lugar qualquer dessa cidade imunda.
No céu escuro, estrelas. Nas ruas, pessoas. Gestos, linhas, feições, vinho e poesia.
A franja lhe avança contra os olhos, mas suas mãos estão inertes demais - envolvidas em algo profundo - pra arrumá-la.
Mas ela é bonita assim.
E outrora a felicidade mostra-se em um sorriso - flor que nasce em meio as pedras: a vida que desperta em um dia frio de verão, e sorri feliz ao acordar e contemplar o seu sonho de primavera.
Sua silhueta esguia contra a luz amarelada de um bar.
Há algo em seus olhos. No seu cabelo metamorfoseante. Nos seus gestos, na forma como ela anda, fala e ri - nos saltos que ela dá quando está alegre, na fala que imita uma criança pra mimar alguém e no sorriso que aperta os olhos verdes. Há algo em seu riso. Nos seus olhos. No seu abraço. No jeito como você não canta e mesmo assim encanta. Há algo secreto, escondido nos dedos
ou no seu cabelo.
domingo, 13 de abril de 2014
segunda-feira, 31 de março de 2014
Procura
Disposto o papel em branco traço retas linhas, feições.
Construo, desfaço, refaço
E despedaço
Minha ávida e incessante procura pelas perfeições.
Construo, desfaço, refaço
E despedaço
Minha ávida e incessante procura pelas perfeições.
domingo, 30 de março de 2014
Desejo
Se,
eu pudesse recomeçar
a milhões de milhas daqui
eu
poderia
me encontrar.
eu acharia um caminho.
eu pudesse recomeçar
a milhões de milhas daqui
eu
poderia
me encontrar.
eu acharia um caminho.
sábado, 29 de março de 2014
Sinestesia
Eu não diria que os olhos dela são de cigana, oblíquos e dissimulados porque isso seria não somente um clichê como também uma inverdade. Devo dizer que os olhos dela não são nem um pouco dissimulados. São olhos sinceros. Tão profundos que parecem tragar o mundo para dentro de si e transformar tudo em um brilho translúcido. Por onde passa ela deixa o ressoar de sua presença: uma música com sabor de felicidade. Seu sorriso tem um gosto doce. E as curvas do seu corpo são pura poesia. Só o mero pensamento é tão inebriante quanto vinho. E enlouquecedor, como absinto.
quarta-feira, 19 de março de 2014
...
Há um homem vagando pelas ruas escrevendo num livro de papel surrado canções sobre a vida.
Ele canta canções de felicidade que aos ouvidos dos outros parecem cantilenas de tristeza.
E assim adormecem suas histórias de primavera, morrendo aos poucos como a luz de um dia quente de verão.
Existe inspiração além da tristeza? Ele se pergunta.
E o silêncio responde, pairando sobre o ar.
Será um sim, ou um não?
Ele canta canções de felicidade que aos ouvidos dos outros parecem cantilenas de tristeza.
E assim adormecem suas histórias de primavera, morrendo aos poucos como a luz de um dia quente de verão.
Existe inspiração além da tristeza? Ele se pergunta.
E o silêncio responde, pairando sobre o ar.
Será um sim, ou um não?
quinta-feira, 6 de março de 2014
Porque não posso entender a vida
Uma luz fraca ilumina uma parede. Luz amarela, cor de sol. Contra ela uma sombra dança o reflexo de uma menina. Dela não vejo nada além da silhueta escura, e quando desvio os olhos vejo somente seu par - a sombra - contra a parede, a repetir seus movimentos de maneira perfeita. Minha curiosidade desponta no desejo de saber quem é a dançarina, mas é inútil. Seus movimentos se repetem em uma cadência confortável e graciosa, como se fossem detalhadamente pensados, refletidos, calculados e testados antes que fossem feitos.
Abaixo a cabeça e vejo um chão de madeira.
Vigas envernizadas que se abrem e me engolem como uma escada em espiral.
A menina vem junto, caindo pela escada, mas não vejo seu rosto. Pelo contrário - ela some. E a escada encolhe e me joga para longe.
Vou me distanciando, involuntariamente, descendo a escada em espiral que volta a se abrir.
A imagem se distorce, trêmula. Se parte em mil pedaços que se espalham em um espaço-tempo aleatório.
E há uma música. Há uma música escrita no chão. Mas não posso ler a música. É a maldita única peça faltante em um quebra cabeça que destrói toda imagem. Insubstituível. Insubstituível porque um dia ela esteve lá, ou quase, na mente ou na realidade.
Ou na mente e na realidade.
Porque não não posso ler essa música?
Abaixo a cabeça e vejo um chão de madeira.
Vigas envernizadas que se abrem e me engolem como uma escada em espiral.
A menina vem junto, caindo pela escada, mas não vejo seu rosto. Pelo contrário - ela some. E a escada encolhe e me joga para longe.
Vou me distanciando, involuntariamente, descendo a escada em espiral que volta a se abrir.
A imagem se distorce, trêmula. Se parte em mil pedaços que se espalham em um espaço-tempo aleatório.
E há uma música. Há uma música escrita no chão. Mas não posso ler a música. É a maldita única peça faltante em um quebra cabeça que destrói toda imagem. Insubstituível. Insubstituível porque um dia ela esteve lá, ou quase, na mente ou na realidade.
Ou na mente e na realidade.
Porque não não posso ler essa música?
Quanto tempo?
e eis que do papel queimado sobrou apenas aquela palavra solitária escrita em letras garrafais
NENHUM
Felicidade
naquela escuridão,
te vi
e vivi
e concluí
que a felicidade não é nada
além da ausência da percepção de que as coisas sempre acabam
e na profunda escuridão fiquei por longo tempo, pensando, temendo
te vi
e vivi
e concluí
que a felicidade não é nada
além da ausência da percepção de que as coisas sempre acabam
e na profunda escuridão fiquei por longo tempo, pensando, temendo
sonhando sonhos que nenhum mortal jamais sonhou
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