Seus olhos eram profundos e tragavam o mundo, como apetece aos poetas. Perto das pupilas eram como lareira, ardiam indagações e respostas e segredos, um brilho pálido amarelado, mas intrigante como céu noturno estrelado. Mais pra longe eram mais claros, traziam consigo um vazio pungente, um silêncio estrelado. Silêncio dentro de silêncio. O brilho verde esmeralda das bordas era cortante como vidro. Grande e vivo. De brilho alto, tão alto como uma mulher alta na ponta dos pés. Sua expressão era austera. Séria. Eu diria que seu sorriso escondido era guardião de razões e motivos. Ele raramente se mostrava, e o olhar rígido dela podia cortar e assustar os pobres de espirito. Mas caso ela quisesse, como a calmaria que sucede a ressaca do mar revolto, poderia desfazer corações de pedra. E esses seres capazes de desfazer corações de pedra são no minimo perigosos. Sob o céu noturno seus cabelos negros se perdiam. Eram austeros, feito carvão, risonhos feito chocolate, serenos como as águas lisas de um rio. Gostavam de brincar ao sabor do vento feito brasa de fogueira, e rodopiantes jogavam-se sobre a sua boca. A boca era a guardiã do sorriso. A guardiã do guardião. Ela era brilho, feito maçã corada, e poesia e desejo e um sonho de verão. Era fada, emoldurada. Rainha coroada. Plebeia de roupa enlameada e fina dama num vestido longo. Era um incógnita e uma interrogação. Uma poesia sutil. Uma prosa feroz. Um desejo ardente. Mas só um desejo.
Muitas vezes chove naquela terra de ninguém. Chuva, tempestade, tormenta, raio, trovão. O povo se esconde, dentro das casas de pedra, e se põe a pensar. E como a tempestade nunca termina, o povo nunca para de pensar. E pensa. E os vizinhos daquela terra de ninguém não sabem que os pingos da chuva são idéias, e a terra fértil é a própria consciência.
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domingo, 22 de fevereiro de 2015
terça-feira, 29 de abril de 2014
Metamorfose carmesim
A tristeza vejo em olhos sem vida.
O pé nervoso marca um compasso histérico contra o chão.
A boca masca nada raivosamente.
Os olhos vagueiam a procura de nada e se fixam em alguma coisa aleatória.
As mãos cruzadas sobre as pernas, sentadas na calçada de uma rua em algum lugar qualquer dessa cidade imunda.
No céu escuro, estrelas. Nas ruas, pessoas. Gestos, linhas, feições, vinho e poesia.
A franja lhe avança contra os olhos, mas suas mãos estão inertes demais - envolvidas em algo profundo - pra arrumá-la.
Mas ela é bonita assim.
E outrora a felicidade mostra-se em um sorriso - flor que nasce em meio as pedras: a vida que desperta em um dia frio de verão, e sorri feliz ao acordar e contemplar o seu sonho de primavera.
Sua silhueta esguia contra a luz amarelada de um bar.
Há algo em seus olhos. No seu cabelo metamorfoseante. Nos seus gestos, na forma como ela anda, fala e ri - nos saltos que ela dá quando está alegre, na fala que imita uma criança pra mimar alguém e no sorriso que aperta os olhos verdes. Há algo em seu riso. Nos seus olhos. No seu abraço. No jeito como você não canta e mesmo assim encanta. Há algo secreto, escondido nos dedos
ou no seu cabelo.
O pé nervoso marca um compasso histérico contra o chão.
A boca masca nada raivosamente.
Os olhos vagueiam a procura de nada e se fixam em alguma coisa aleatória.
As mãos cruzadas sobre as pernas, sentadas na calçada de uma rua em algum lugar qualquer dessa cidade imunda.
No céu escuro, estrelas. Nas ruas, pessoas. Gestos, linhas, feições, vinho e poesia.
A franja lhe avança contra os olhos, mas suas mãos estão inertes demais - envolvidas em algo profundo - pra arrumá-la.
Mas ela é bonita assim.
E outrora a felicidade mostra-se em um sorriso - flor que nasce em meio as pedras: a vida que desperta em um dia frio de verão, e sorri feliz ao acordar e contemplar o seu sonho de primavera.
Sua silhueta esguia contra a luz amarelada de um bar.
Há algo em seus olhos. No seu cabelo metamorfoseante. Nos seus gestos, na forma como ela anda, fala e ri - nos saltos que ela dá quando está alegre, na fala que imita uma criança pra mimar alguém e no sorriso que aperta os olhos verdes. Há algo em seu riso. Nos seus olhos. No seu abraço. No jeito como você não canta e mesmo assim encanta. Há algo secreto, escondido nos dedos
ou no seu cabelo.
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